Música

Arquivado em: Uncategorized — Rachel at 4:50 am on Quarta-feira, Junho 28, 2006

Quando escuto essa música sinto todas as dores que ela passa, apesar de não condizer com meu estado de espírito. Acredito que a magia da música mora aí. Essa é uma das músicas mais tristes e belas para mim. Como sempre Chico Buarque canta baixinho e me emociona. A Zizi Possi também interpreta muito bem essa canção, mas prefiro os olhos azuis poéticos de Chico.

Pedaço de mim 

Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar
Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais
Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu
Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi
Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor

Uma carta

Arquivado em: Uncategorized — Rachel at 7:23 am on Quinta-feira, Junho 22, 2006

No segundo domingo de maio ela me pediu uma carta.

Parece tantas vezes uma menina. Tantos retalhos dentro dela, mas foi capaz de fazer a manta mais bonita para nos cobrir.

 

Nem sabe o tamanho da beleza que tem. Muitas vezes não sabe expressar o que sente, mas sei que tem o amor maior do mundo.

 

Quando a maternidade chegar a mim, vou querer ter um monte de coisas dela, sobretudo a firmeza de espírito. Quero herdar o riso fácil. A maneira como nos divertimos quando estamos todas juntas, sempre embaladas por ela.

 

Se sou forte aprendi com ela. Aprendi um monte de coisas, até o que não quero ser também.

 

Sempre foi protetora. Hoje, confesso que tenho vontade de protegê-la o tempo todo.

É imensurável o que sinto. Uma carta não caberia, mãe!

Minhas flores preferidas

Arquivado em: Uncategorized — Rachel at 6:37 am on Quinta-feira, Junho 15, 2006

É feriado hoje. Um e-mail despretensioso só para dizer que sente saudades que uma grande amiga me enviou me faz ter vontade de abraçar, de ouvir a voz, de rir, de tocar cada uma das minhas lindas amigas. É um sentimento que não cabe em palavras.

Cada uma é um mundo em mim. Um olhar contemplativo de uma, um amor sem tamanho de outra, a doçura misturada com rebeldia, as caretas engraçadas de mais uma, o jeito manhoso… tenho tanto delas.

Passamos tanto tempo sem nos ver, mas  sinto que elas estão comigo em qualquer lugar, no parque, nas músicas que escuto, nos livros e poesia que leio.

Nossa amizade é raiz e flores e frutos.

“ […] Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer…
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos..[]
A gente não faz amigos, reconhece-os.”(Vinicius de Morais)

Pedaço de mim

Arquivado em: Uncategorized — Rachel at 9:05 am on Quinta-feira, Junho 1, 2006

 Quando criança visitei a cidade com os meus pais. Tinha lembranças da beleza do lugar, mas era apenas como um cartão postal.

Em 2004, minha vida deu um giro e fui morar no Rio. Cheguei com a cara e a coragem em busca do amor de sempre. Minha relação com a cidade foi se dando de mansinho, apesar do grande turbilhão de mudanças e aprendizados.

Foi no Rio que descobri que sou uma mulher desdobrável, como na poesia de Adélia Prado. Foi lá que aprendi a ser mais eu longe do ninho e das asas protetoras da minha mãe. Aprendi a ser só sem ser sozinha.

Lembro do meu espanto ao ir pela primeira vez no centro da cidade. Sentia que a temporalidade das pessoas eram outra, todos na correria do dia-a-dia, sem tempo para apreciar a beleza daquele lugar. Fiquei assustada.

Foi lá que minha ingenuidade pelas pessoas foi de certa maneira abalada, pude sentir como as pessoas são preconceituosas, como o sotaque das pessoas podem criar abismos ao invés de laços, e isso me deixava ,muitas vezes, triste. Aos poucos fui fazendo minha rotina, descobrindo os caminhos, me descobrindo na cidade. Foi lá que aprendi a dividir um mundo a dois, ou dois mundos em um.

E de repente já estava apaixonada por aquele lugar, de uma beleza sem tamanho, com uma energia e cores que só o Rio tem, a bossa e o mar.

 
printers
printers Counter