“[…]O final pode ser um alívio ou uma enorme dor, mas o começo traz uma promessa, um desafio, um cheiro novo, um brilho no olho, ah, vá lá, uma esperança. A gente passa a vida toda começando, não acabando.
Começar implica, sempre, uma renúncia. Você escolhe começar uma coisa, em detrimento de todas as outras – todo o tempo.
Nós começamos porque nos encantamos, porque nos assustamos, porque cremos, porque não podemos acreditar, porque entendemos, porque precisamos entender.
Nós começamos para provocar, para apaziguar, para dizer as verdades universais e para mentir descaradamente, para desmentir, para perdoar, para encontrar culpados, para prender, para livrar, para aliviar, para iluminar, para mostrar, para mistificar, para acalmar e para agitar, para consolar, para cair de amor, para impedir, para permitir, para fundar, para destruir, para nos defender e, ahá, para atacar, para chorar e para parar de chorar, para encontrar, para ouvir, para esconder, para desligar, para voar, para despir, para rir.
Nós começamos por raiva, por medo, por necessidade, por pudor.
Nós começamos para que tudo mude, para que a vida continue como está, porque queremos algo, porque sentimos tanto, porque queremos tudo, porque não temos nada.
[…]
Ainda estamos no começo.
Temos todo o tempo do mundo”
Fal Azevedo