Ela uma vez escreveu que podia ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, tudo iria depender de como a veríamos passar.
Ela fala um monte de coisas que me tocam a alma. Muitas não entendo, mas compreendo.
E ela fala de novo e sempre. Ela tem o mistério em suas palavras.
“Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.”
Clarice Lispector