um leminski pra vocês
alguém conhece o haikai?. poesia que corre como um rio. passeia em três versos. tem a síntese e a plenitude oriental.
Tarde de vento.
Até as árvores
querem vir para dentro.
(Paulo Leminski)
alguém conhece o haikai?. poesia que corre como um rio. passeia em três versos. tem a síntese e a plenitude oriental.
Tarde de vento.
Até as árvores
querem vir para dentro.
(Paulo Leminski)
entonces. sem ordem de preferência.
- hablar español, o mejor, portuñol.( impagável escutar a paula hablando:”por favor, puedes dar uma embrurradinha en el regalo?” y “uma limpiadinha?” hahahha. e eu: “el día de mi navidad es 17 de octubre” gente, confundi navidad(natal) com cumpleaños(aniversário) rsrs;
- mercado la boquería(nosso café da manhã era lá. uma infinidade de frutas e aromas e sabores. super recomendo!);
- barcelona de gaudí( vimos tudo dele… casa millá, la pedrera, parque guell, sagrada família. tudo muito surreal e imperdível);
- a arquitetura do bairro gótico;
- o hostel, kabul, dos nossos amigos( o ponto de encontro era lá. e eu muito jeitosa derramei um copão de cerveja em cima de mim e da paula e ainda ganhei uma salva de palmas. ai que vergonha);
- nesse mesmo hostel conhecemos muitos brasileiros -desculpa, Tabs! - ( nosso olhar de cumplicidade de tédio total, meu e da paula, toda vez que uma japa paulistana falava: “meuuuu, os catalães são muito sussa” era de matar. aff que chata!;
- o nosso hotel era o mais autêntico caminho das índias(só tinha indiano. quer dizer, só tem indiano no mundo. o que é isso ein?- teve até um que ficou encantado com essa muchacha que vos fala, toda vez que me via hablava:” humm, las brasileñas son tan hermosas” - are baba;
- o dia que decidimos pegar uma prainha(brisa, areia, mar… nublado e friozinho é verdade, mas deu para entrar no clima);
- o dia do bar sincopa, já postei sobre ele.( quando saímos de lá conhecemos duas figuras catalães muito engraçadas que nos levaram para conhecer um autêntico bar clandestino- tinha até senha pra entrar-);
- um dos catalães que conhecemos, o dani, toda vez que via algo surpreendente hablava “da-me mis pastillas” e essa ficou sendo nossa frase até o final da viagem. rs rs;
- las rambas(andávamos muito por lá, nosso hotel ficava pertinho. e por lá passam todos os tipos de turistas do mundo);
- la paella, el jamon, la primavera, las calles… barcelona me encanta!;
- me gustaría volver, siempre!
Daqui a pouco mais de um mês começa minha despedida da casa dos vinte. E já começo até a olhar de cima o que essa década representou pra mim. Calma! ainda vou fazer vinte e nove, mas já estou desapegando disso.
Posso afirmar que foi uma década toda de mudanças e crescimento. Tantos sabores e dissabores.
Concluí minha graduação, saí de casa e vim para o Rio, conheci pessoas novas, cultura diferente, aventurei uma pós, aprendi a andar e me virar sozinha na cidade e me apaixonei por ela. Casei. Fui morar em São Paulo. Estudava dia e noite. Gostei daquele mundo nem tão selva de pedra assim. Passei num concurso. Fui passar uma temporada em Belo Horizonte de três meses. Um mundo novo. Voltei a morar no Rio. Ponte aérea o tempo todo. E numa dessas, caí da nuvem. Me separei. Fiquei perdida. Mas a primavera chegou. Redescobri como gosto do Rio. Uma flor carioca, a Paula, me deu a mão e o ombro. Segui em frente. E no dia do aniversário dela, conheci um moço.
E de mansinho o moço bonito, junto com a primavera, veio perfumar minha vida. Fiz minha viagem dos sonhos pela Europa, junto com a flor que me deu a mão. Próximo ano termino meu curso de espanhol. Ainda luto para estudar com mais disciplina. Sou agora chefe no meu trabalho e aprendo mais todos os dias. E ainda falta um ano para completar o ciclo e viver muitas outras experiências.
Sigo sonhando com o ninho que está amadurecendo em mim, com mais brisas suaves, com boas risadas, mais viagens e um mundo mais tranquilo para a próxima década.
E ainda dizem que a vida só começa aos quarenta.
“Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas.
dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que as dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor os meus silêncios.”
Manuel de Barros