infinito particular

Arquivado em: Uncategorized — Rachel at 11:32 am on Segunda-feira, Abril 26, 2010

Sempre preciso de um tempo para absorver momentos vividos, para tentar enxergar além do invisível aos olhos. Comigo esse tempo de maturação e contemplação serve para colocar algumas coisas no lugar ou para deixar tudo fora do lugar, tudo novo.

E para cada momento vivido, uma poesia, uma palavra, uma música… me faz companhia, dialoga e diz tanto mais do que sou capaz. É uma imensidão.

E uma música cantada numa manhã que ainda acordava: “só não se perca ao entrar no meu infinito particular …/ é só mistério não tem segredo”.

É. Traduz que no meu infinito particular, sou pequenina e também gigante.

pedido

Arquivado em: Uncategorized — Rachel at 10:58 pm on Quarta-feira, Abril 14, 2010

A amiga-girassol pediu para que eu postasse uma poesia de um livro que ela mesma me presenteou. Passeando pelos versos, resolvi escolher um poema que falasse direto comigo. E como a saudade já virou uma tatuagem na minha pele, como a saudade é uma palavra tão lúdica e única, foi ela que escolhi.

Saudades não vividas

Aguardo com saudades

o dia em que meus braços

encontrarem teus abraços.

E ver que nos meus olhos

não existe apenas fotos

daquilo que não vivi.

 

Aguardo apreensivo

por um dia ainda vivo

nas conversas de nós dois

pra poder falar de amores

e também dos meus horrores

dessa vida inconstante.

 

Aguardo nos teus olhos

o brilho do meu sorriso

de nunca ter-te visto.

Sentindo na barriga

o frio de uma distância

que se espera reduzida.

 

Aguardo aflito por palavras

ditas pela boca e não por dedos.

E fazer do encontro

o Laço de amizade

matando a saudade

de momentos não vividos.

 George Ardilles -Poemas de Meio-fio

Arquivado em: Uncategorized — Rachel at 5:13 pm on Segunda-feira, Abril 5, 2010

uma menina igual a mil
que não está nem aí
tivesse a vida pra escolher

e era talvez ser distraída
o que ela mais queria ser

chico buarque de hollanda

um pouco do Manoel para brincar com as palavras

Arquivado em: Uncategorized — Rachel at 12:44 pm on Quinta-feira, Abril 1, 2010

“Quando a Vó me recebeu nas férias, ela me apresentou aos amigos: Este é meu neto. Ele foi estudar no Rio e voltou de ateu. Ela disse que eu voltei de ateu. Aquela preposição deslocada me fantasiava de ateu. Como quem dissesse no Carnaval: aquele menino está fantasiado de palhaço. Minha avó entendia de regências verbais. Ela falava de sério. Mas todo-mundo riu. Porque aquela preposição podia fazer de uma informação um chiste. E fez. E mais: eu acho que buscar a beleza nas palavras é uma solenidade de amor. E pode ser instrumento de rir. De outra feita, no meio da pelada um menino gritou: Disilimina esse, Cabeludinho. Eu não disiliminei ninguém. Mas aquele verbo novo trouxe um perfume de poesia à nossa quadra. Aprendi nessas férias a brincar de palavras mais do que trabalhar com elas. Comecei a não gostar de palavra engavetada. Aquela que não pode mudar de lugar. Aprendi a gostar mais das palavras pelo que elas entoam do que pelo que elas informam. Por depois ouvi um vaqueiro a cantar com saudade: Ai morena, não me escreve/ que eu não sei a ler. Aquele a preposto ao verbo ler, ao meu ouvir, ampliava a solidão do vaqueiro.”

Manoel de Barros, sempre ele suavizando o mundo.

 
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