Inspiração

Arquivado em: Uncategorized — Rachel at 9:00 am on Sexta-feira, Junho 18, 2010

Há dias que ela vem assim de repente, outros dias fica presa dentro da gente, outros parece que é só vazio, silêncio.

Já aconteceu de algumas vezes correndo pela Lagoa vários textos saírem de mim, com detalhes incríveis. E acabada a corrida não lembrava de mais nada. A inpiração vem de onde?

Ney Matogrosso, no seu cd com Pedro Luis e a Parede.

Transpiração

A inspiração vem de onde
Pergunta pra mim alguém
Respondo talvez de longe
De avião, barco ou ponte
Vem com meu bem de Belém
Vem com você nesse trem
Nas entrelinhas de um livro
Da morte de um ser vivo
Das veias de um coração
Vem de um gesto preciso
Vem de um amor, vem do riso
Vem por alguma razão
Vem pelo sim, pelo não
Vem pelo mar gaivota
Vem pelos bichos da mata
Vem lá do céu, vem do chão
Vem da medida exata
Vem dentro da tua carta
Vem do Azerbaijão
Vem pela transpiração
A inspiração vem de onde, de onde
A inspiração vem de onde, de onde
Vem da tristeza, alegria
Do canto da cotovia
Vem do luar do sertão
Vem de uma noite fria
Vem olha só quem diria
Vem pelo raio e trovão
No beijo dessa paixão

México - Parte I

Arquivado em: Uncategorized — Rachel at 11:24 pm on Quinta-feira, Junho 10, 2010

 

Há um e-mail que circula na rede que fala que existem várias melhores amigas na vida de uma mulher. Uma melhor amiga para cada situação. Hoje fiquei relembrando momentos da viagem do México. E me veio uma certeza: nessa viagem, sem dúvidas, a amizade foi a principal protagonista.

 

Nenhuma agitação noturna de Condesa, nenhuma ruína Asteca ou Maia, nem mares turquesas lindíssimos, cenotes incríveis, cervejas, margaritas, nachos, tacos, raffaelos, lua cheia… Nada. Nada seria tão intenso sem a cumplicidade de Telma & Louise. Sem a sincronicidade irritante das duas, sem aquela esperteza e praticidade de uma e o cuidado e delicadeza nos detalhes da outra. Sem as crises de risos intermináveis(foram tantas), sem as pessoas acharem que de tão próximas e parecidas somos irmãs.

É minha amiga, o local de Teotihuacan tinha razão: uma precisa mais da energia do sol e a outra a da lua. E assim vamos nos complementando.

Gracias.

de Bentinho para Capitu

Arquivado em: Uncategorized — Rachel at 12:35 pm on Segunda-feira, Junho 7, 2010

Li Dom Casmurro quando tinha quinze anos e lembro perfeitamente o poder que a retórica dos namorados teve sobre mim. Não conseguirei explicar, ultrapassa. Para inspirar essa semana, transcrevo uma das declarações de amor mais linda que conheço.

“Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá idéia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros, mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me. Quantos minutos gastamos naquele jogo? Só os relógios do céu terão marcado esse tempo infinito e breve. A eternidade tem as suas pêndulas; nem por não acabar nunca deixa de querer saber a duração das felicidades e dos suplícios. Há de dobrar o gozo aos bem-aventurados do céu conhecer a soma dos tormentos que já terão padecido no inferno os seus inimigos; assim também a quantidade das delícias que terão gozado no céu os seus desafetos aumentará as dores aos condenados do inferno. Este outro suplício escapou ao divino Dane; mas eu não estou aqui para emendar poetas. Estou para contar que, ao cabo de um tempo não marcado, agarrei-me definitivamente aos cabelos de Capitu, mas então com as mãos, e disse-lhe,–para dizer alguma cousa,–que era capaz de os pentear, se quisesse. ”
(Machado de Assis - Dom Casmurro)

 
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