Pode ser a sensação de um golpe fatal, ou uma taquicardia, pode ser um sorriso despertado, uma lágrima. Pode ser uma ventania, uma ressaca do mar ou uma brisa suave. Pode despertar sonhos, fazer adormecer, sacodir toda a poeira. Pode salvar o mundo, ou simplesmente o seu dia.
Pode aproximar, pode levar para onde só o silêncio é capaz. Pode transformar, pode tirar tudo do lugar, pode fazer ver uma flor no meio do asfalto, ou pode tirar a pedra do meio do caminho. Pode espantar, pode ultrapassar, pode agredir ou pode fantasiar. Pode fazer com que o seu jardim seja maior do que o mundo. Pode fazer a quadrilha do drummond dar certo no final. Pode fazer do verme um poema, salve Augusto! E pode também salvar um afogado, já dizia o Quintana.
A poesia pode tudo. E sempre me salva no final.
“Quem faz um poema abre uma janela
Respira tu que estás numa cela abafada
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
para que possas, enfim, profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.”
(Mário Quintana)